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quarta-feira, julho 19, 2006

OS PERÍODOS DA REFORMA E DA PÓS-REFORMA - c. 1500 – c. 1750 - PARTE I

HISTÓRIA DA TEOLOGIA CRISTÃ


OS PERÍODOS DA REFORMA E DA PÓS-REFORMA, C. 1500 – c. 1750

No século XVI, iniciou-se m novo período extremamente importante da teologia cristã ocidental. Os métodos da teologia cristã, associados ao período medieval, deram espaço a novos paradigmas. O avanço mais significativo foi a Reforma, um movimento que buscou a volta da igreja ocidental a fundamentos mais bíblicos, em relação a seu sistema de crenças, a sua moralidade e suas estruturas. A princípio, a Reforma levou à formação de um grupo de igrejas protestantes na Europa.

Um avanço significativo, que ocorreu na parte final desse período, foi a difusão do cristianismo ocidental a partir de seu contexto europeu. A chegada de comunidades de puritanos ingleses à baía de Massachussets, assim como de missionários espanhóis e portugueses à América do Sul, abriu caminho a um período posterior de expansão do cristianismo, que viria a ter, no período moderno, crescente importância teológica.

Iniciamos nossa discussão a respeito desse período crucial da história da teologia cristã por meio da análise dos avanços teológicos associados à Reforma.

O termo “Reforma” é usado por historiadores e teólogos com referência a um movimento da Europa Ocidental – cujo centro foi em torno de indivíduos como Martinho Lutero, Ulrich Zuínglio e João Calvino -, o qual que tinha por objetivo as reformas moral, teológica e institucional da igreja cristã naquela região. Inicialmente, até cerca de 1525, pode-se considerar que a Reforma girava em torno de Martinho Lutero e da Universidade de Wittenberg, na atual região nordeste da Alemanha. Entretanto, no início da década de 1520, o movimento também ganhou força, a princípio de maneira independente, na cidade suíça de Zurique. A Reforma de Zurique, por meio de uma série de complexos desdobramentos, passou por diversas modificações de ordem política e teológica, vindo, no futuro, a ser associada principalmente à cidade de Genebra (que hoje integra a atual Suíça, embora fosse, naquela época, uma Cidade-estado independente) e à figura de João Calvino.

O movimento reformista era complexo e heterogêneo e seu projeto ia muito além da simples reforma doutrinária da igreja. Esse projeto tratava de questões fundamentais de ordem social, política e econômica, demasiadamente complexas para ser discutidas com maior detalhe neste volume. O projeto da Reforma variava de um país para outro, assim as questões teológicas relevantes em um país (por exemplo, na Alemanha) tinham um impacto relativamente pequeno em relação aos demais (por exemplo, na Inglaterra).

A igreja católica, em reação à Reforma, esforçou-se para pôr a própria casa em ordem. O papa Paulo III, dirigente da igreja na época, inicialmente impedido de convocar um concílio devido à instabilidade política na Europa, resultante das tensões entre França e Alemanha; posteriormente pôde convocar o Concílio de Trento (1545). Esse concílio se propôs a esclarecer as práticas e o pensamento da igreja católica, bem como a defendê-los de seus opositores evangélicos.

A Reforma em si foi um fenômeno da Europa Ocidental, especialmente concentrado nas áreas central e setentrional, embora o Calvinismo tenha chegado tão ao leste que alcançou a Hungria. Entretanto, a imigração de uma grande quantidade de indivíduos para os Estados Unidos, que se tornou cada vez mais expressiva de 1600 em diante, levou à exportação das teologias pós-reformistas, tanto protestante quanto católica, para aquela região. A Faculdade de Harvard é um exemplo de um dos primeiros centros de educação teológica na Nova Inglaterra. A Companhia de Jesus também desenvolveu extensas operações missionárias no Extremo Oriente, incluindo a Índia, a China e o Japão. Gradualmente, a teologia cristã começou a expandir-se para além de sua base na Europa Ocidental, tornando-se um fenômeno global – um avanço que veio a consolidar-se, por fim, no período moderno, ao qual nos dedicaremos em breve. Nossa atenção volta-se agora para a análise da terminologia ligada aos períodos da Reforma e do pós-Reforma.


Esclarecimento dos termos

O termo “Reforma” é usado em vários sentidos, sendo bastante útil fazer-se uma distinção entre eles, Quatro movimentos, que serão, a seguir, discutidos de maneira breve, podem estar presentes em sua definição: o luteranismo; a igreja reformada, que normalmente recebe a designação de “calvinista”; a “Reforma radical”, também conhecida como “anabatismo”; e a “Contra-Reforma” ou “Reforma católica”. Em sentido lato, o termo “Reforma” é usado em relação a todos esses quatro movimentos. O termo também é empregado em sentido bem mais estrito, significando “a Reforma Protestante”, excluindo a Reforma católica. Nesse sentido, o termo engloba os três movimentos protestantes acima destacados. Entretanto, em muitos trabalhos acadêmicos, o termo “Reforma” é usado em relação ao que, por vezes, se conhece como a “Reforma magisterial” ou a “Reforma principal” – em outras palavras, aquela ligada às igrejas luteranas e reformada (inclusive a anglicana), com exceção dos anabatistas.

A expressão pouco usual “Reforma magisterial” necessita de uma pequena explicação. A expressão chama a atenção para o modo como os reformadores da corrente predominante relacionavam-se com as autoridades seculares como príncipes, magistrados ou conselheiros municipais. Enquanto os reformadores radicais consideravam que essas autoridades não tinham quaisquer direitos em relação à igreja, os reformadores da corrente predominante alegavam que a igreja estava, ao menos até certo ponto, sujeita à autoridade de agentes do governo secular. O magistrado tinha direito à autoridade perante a igreja, assim como a igreja podia contar com a autoridade do magistrado para garantir a disciplina, reprimir a heresia ou manter a ordem. A expressão “Reforma magisterial” pretende destacar essa estreita relação que havia entre a magistratura e a igreja, componente central do projeto reformista de escritores como Martinho Lutero ou Martin Bucer. Esses três sentidos da expressão “Reforma” serão encontrados ao longo de obras que tratam da teologia cristã. O termo “Reforma magisterial” é cada vez mais usado em relação aos dois primeiros sentidos do termo (isto é, englobando o luteranismo e a igreja reformada) tomados em conjunto, e o termo “Reforma radical” com referência ao terceiro sentido (anabatismo).

O termo “protestante” requer comentários. Ele surgiu em conseqüência da dieta de Speyer (fevereiro de 1529), que votou pelo fim à tolerância ao movimento luterano na Alemanha. Em abril do mesmo ano, seis príncipes alemães e quatorze cidades protestaram contra essa medida repressora e em defesa da liberdade de consciência e dos direitos das minorias religiosas. O termo “protestante” vem desse protesto. Portanto, não é estritamente correto, antes de abril de 1529, usar o termo “protestante” em relação a indivíduos ou fazer menção a acontecimentos anteriores a essa data como relacionados à “Reforma protestante”. O termo “evangélico” é normalmente usado em literatura em referência a facções reformistas em Wittenberg e outros locais (e.g., na França e Suíça), antes dessa data. Embora a expressão “protestante” seja freqüentemente usada em relação a esse período anterior, seu uso , estritamente falando, representa um anacronismo.


A Reforma Luterana

A Reforma luterana está particularmente associada aos territórios alemães e à profunda influência pessoal de um indivíduo carismático – Martinho Lutero. Lutero preocupava-se especialmente com a doutrinada justificação, que constituía um ponto central de seu pensamento religioso. A princípio, a reforma luterana foi um movimento acadêmico voltado principalmente à reforma do ensino de teologia na Universidade de Wittenberg. Wittenberg não era uma universidade importante, pois as mudanças introduzidas por Martinho Lutero e seus companheiros na faculdade de teologia atraíram pouca atenção. Foram as atitudes pessoais de Martinho Lutero – como a afixação das célebres Noventa e cinco teses (em 31 de outubro de 1517) – que atraíram grande interesse e trouxeram as idéias que circulavam em Wittenberg para o grande público.

As Noventa e cinco teses representavam um protesto contra a venda de indulgências que objetivava levantar recursos para a reconstrução, em Roma, da basílica de São Pedro. A teoria que dava embasamento à venda de indulgência era confusa, mas parece apoiar-se na idéia de gratidão do pecado pelo perdão de seus pecados. Uma vez que os pecadores tinham certeza de haver sido perdoados pela igreja, que atuava em nome de Cristo, eles naturalmente desejariam expressar sua gratidão de a alguma forma positiva. Gradualmente, a doação de dinheiro para caridade, inclusive diretamente para os fundos eclesiais, passou a ser encarada como uma maneira comum de se expressar gratidão pelo perdão recebido. Deve-se destacar que, de acordo com a mentalidade da época, isso não significava que um pecador comprasse o perdão. A doação em dinheiro era uma conseqüência do perdão, não uma condição para isso. Contudo, até a época de Martinho Lutero, esse conceito fora distorcido e interpretado de maneira equivocada. As pessoas pareciam acreditar que as indulgências eram um modo rápido e conveniente de comprar o perdão dos pecados. Martinho Lutero protestou. O perdão era uma questão ligada à mudança de relacionamento entre o pecador e Deus, não, a uma barganha financeira. O conceito de perdão pela graça havia se corrompido, transformando-se na idéia de aquisição do favor divino.

A reforma luterana só teve início em 1522, quando Martinho Lutero regressou para Wittenberg, após seu período de isolamento forçado em Wartburg. Martinho Lutero fora condenado, em 1521, pela dieta de Worms, em razão de proclamar “falsa doutrina”. Temendo por sua vida, certos adeptos influentes o levaram em segredo para um castelo em Wartburg, até que cessasse a ameaça a sua segurança. Em sua ausência, Andréas Bodenstein Von Karlstadt, seu companheiro e acadêmico em Wittenberg, deu início a um programa de reformas nessa região que parecia transformar-se em verdadeiro caos. Martinho Lutero, convencido de que sua presença era necessária, para que a reforma pudesse resistir à inépcia de Karlstadt, deixou seu refúgio e voltou para Wittenberg.

A essa altura, o projeto de Martinho Lutero para uma reforma acadêmica havia se transformado em um programa de reforma eclesiástica e social. O fórum de atuação de Martinho Lutero não era mais o mundo acadêmico das idéias; agora, ele era considerado o líder de um movimento reformista de caráter religioso, social e político que, aos olhos de alguns observadores contemporâneos, parecia abrir espaço para uma nova ordem social e religiosa na Europa. Na verdade, o programa de reforma de Martinho Lutero era muito mais conservador do que aquele associado a seus companheiros de Reforma, como Ulrich Zuínglio. Além disso, o programa teve um êxito muito menor do que o esperado. O movimento permaneceu obstinadamente restrito aos territórios alemães e – com exceção da Escandinávia – jamais alcançou os centros de poder, em outros locais, que pareciam estar prontos para ser colhidos. A perspectiva de Martinho Lutero, em relação ao papel de “príncipe divino” atribuído ao monarca (o qual efetivamente assegurava a este o controle da igreja), não parece ter exercido a atração esperada, especialmente à luz dos sentimentos geralmente republicanos de intelectuais reformistas como João Calvino. O caso da Inglaterra demonstra esse aspecto de maneira singular: lá, com o nos Países Baixos, a teologia protestante que ganhou projeção foi a reformada e não a luterana.


A Reforma Calvinista

A origem da Reforma calvinista, responsável pela formação das igrejas reformadas (como, por exemplo, a igreja presbiteriana), encontra-se em fatos que ocorreram na Confederação Helvética. Enquanto a reforma luterana que originou-se em um contexto acadêmico, a igreja reformada deve sua origem a várias tentativas de reforma voltadas para a ética e o culto da igreja (mas não necessariamente a sua doutrina) fundamentados em padrões mais bíblicos. Deve-se enfatizar que, embora tenha sido João Calvino quem conferiu a esse estilo de reforma seu formato definitivo, suas origens remontam a reformadores anteriores, como Ulrich Zuínglio e Heinrich Bullinger, que haviam se estabelecido na pujante cidade suíça de Zurique.

Embora a maior parte dos primeiros teólogos reformadores, como Ulrich Zuínglio, tivesse uma formação acadêmica, seus programas de reforma não eram de natureza acadêmica. Esses programas eram dirigidos à igreja, da forma como efetivamente era encontrada em cidades suíças como Zurique, Berna e Basiléia. Mesmo que Martinho Lutero estivesse convencido da importância central da doutrina da justificação para seu programa de reforma social e religiosa, os primeiros teólogos reformadores tinham interesse relativamente pequeno em relação à doutrina, menos ainda em relação a uma doutrina específica. Seu programa de reforma era de cunho institucional, social e ético, sendo semelhante, em muitos aspectos, às exigências de reformas emanadas do movimento humanista.

Geralmente, considerava-se que o processo de consolidação da igreja reformada teve como ponto inicial a estabilização da reforma em Zurique, sob a liderança de Heinrich Bullinger, sucesso de Ulrich Zuínglio que fora morto em uma batalha (1531), tendo seu ponto final na década de 1550, com o afloramento de Genebra como seu fundamento de poder e de João Calvino como seu principal porta-voz. A gradual troca de poder no seio da igreja reformada (a princípio, de Zurique para Berna e, subseqüentemente, de Berna para Genebra) ocorreu ao longo do período de 1520 a 1560, vindo posteriormente a consolidar a liderança da cidade de Genebra, com seu sistema político (a república) e com seus religiosos intelectuais (de início, João Calvino e, após sua morte, Theodore Beza), como predominantes no seio da igreja reformada. Esses desdobramentos foram reforçados pela fundação da Academia de Genebra (em 1559), na qual os pastores reformados recebiam treinamento.

O termo “calvinismo” freqüentemente é usado em referência às idéias religiosas da igreja reformada. Embora esse uso ainda seja bastante difundido na literatura relativa à Reforma, atualmente é desaconselhado. A cada dia tem se tornado mais evidente o fato de que a teologia reformada, ao final do século XVI, inspirou-se em fontes outras que não as idéias do próprio João Calvino. Referir-se ao pensamento reformado do final do século XVI e início do século XVII, como “calvinista” implica afirmar que ele representa, essencialmente, o pensamento de João Calvino – e há um consenso geral em relação ao fato das idéias de João Calvino haver sido sutilmente modificadas por seus sucessores. Hoje, dá-se preferência ao termo “reformado”, quer seja com relação às igrejas (principalmente na Suíça, nos Países Baixos e na Alemanha) que aos intelectuais religiosos (como Theodore Beza, Guilherme Perkins e John Owen), que se basearam em As Institutas da Religião Cristã, célebre obra de João Calvino, ou em documentos da igreja alicerçados nessa obra (como o famoso Catecismo de Heidelberg).

Dos três integrantes da Reforma protestante – os luteranos, os reformados ou calvinistas e os anabatistas – a ala reformada goza de maior destaque no mundo de língua inglesa. Evidentemente, isso não significa menosprezar a influência das outras alas da Reforma nessa região, mas meramente fazer menção ao papel de extrema importância que o puritanismo desempenhou no cristianismo de língua inglesa. Essa vertente do cristianismo reformado tem papel importante na história da Inglaterra do século XVII e é de fundamental importância, nesse mesmo período, para as perspectivas religiosas e políticas da Nova Inglaterra. Para se compreender a história religiosa e política da Nova Inglaterra ou as idéias de escritores como Jonathan Edwards, por exemplo, é necessário assimilar, pelo menos, alguns dos conceitos teológicos e parte da perspectiva religiosa do puritanismo, que informam suas atitudes sociais e políticas.


A Reforma Radical (Anabatista)

O termo “anabatista” significa literalmente “re-batizado” e refere-se a algo que era, provavelmente, o aspecto mais marcante da prática anabatista: a ênfase insistente no aspecto de que somente aqueles que houvessem feito uma profissão de fé pessoal e pública deveriam ser batizados. Parece que o movimento anabatista surgiu, pela primeira vez, no início da década de 1520, perto de Zurique em conseqüência das reformas feitas por Ulrich Zuínglio nesta cidade. O movimento concentrava-se em torno de um grupo de indivíduos (dentre os quais destacamos Conrad Grebel) que alegavam que Ulrich Zuínglio estava traindo seus princípios reformadores. Ele pregava uma coisa e praticava outra. Embora, Ulrich Zuínglio professasse ser fiel ao princípio sola scriptura, “somente nas Escrituras encontra-se a verdadeira autoridade para a salvação”, Grebel alegava que ele mantinha uma série de práticas – em meio às quais estava o batismo infantil, e estreito vínculo entre igreja e a magistratura e a participação de cristãos em guerras – que não eram sancionadas ou determinadas pelas escrituras. Nas mãos de pensadores como Grebel, o princípio da sola scriptura seria radicalizado; os cristãos reformados somente creriam naquilo e praticariam o que fosse expressamente ensinado pelas Escrituras. Ulrich Zuínglio ficou alarmado com essa postura, vendo nela um desdobramento que traria instabilidade e ameaçava afastar a igreja reformada, em Zurique, de suas raízes históricas e de seus laços de continuidade com a tradição cristão do passado.

Pode-se perceber a presença de vários elementos comuns dentre as diversas ramificações do movimento anabatista: uma desconfiança generalizada em relação à autoridade secular; a rejeição do batismo infantil em favor da defesa do batismo de adultos; a propriedade coletiva de bens e uma ênfase em relação ao pacifismo e à não-resistência. Um exemplo do terceiro destes aspectos mencionados, foi o fato de, em 1527, os governos de Zurique, Berna e St Gallen acusar os anabatistas de acreditar “que nenhum cristão autêntico poderia pagar ou receber juros ou renda sobre um montante de capital; que todos os bens temporais são gratuitos e comuns e que todos têm pleno direito de propriedade sobre eles”. É por essa razão que o movimento anabatista é freqüentemente conhecido como “a ala esquerda da Reforma” (Roland H. Baiton) ou como a “Reforma Radical” (George Husnton Williams). Para Willams, a “Reforma radical” deve ser contraposta à “Reforma magistral” que ele identificava, de maneira geral, com os movimentos luterano e reformado. Esses termos vêm sendo progressivamente adotados pelos estudiosos da Reforma, sendo provável que você os encontre em estudos mais recentes do movimento.


A Reforma Católica

Esse termo normalmente é usado em relação ao avivamento ocorrido no seio do catolicismo, no período subseqüente ao início do Concílio de Trento (1545). Em estudos acadêmicos mais antigos, o movimento é chamado de “Contra-Reforma”: como o próprio termo sugere, a igreja católica criou formas de combater a Reforma protestante com a finalidade e limitar sua influência. Contudo, tem se tornado cada vez mais evidente o fato de que a igreja católica, ao menos em parte, combateu a Reforma por meio de uma reforma interna, de uma revisão de suas posturas, com a finalidade de acabar com as causas da crítica protestante. Nesse sentido, o movimento foi tanto uma Reforma da própria igreja católica quanto uma reação contrária à Reforma protestante.

As mesmas preocupações que estavam por trás da Reforma protestante no norte da Europa foram canalizadas para a renovação da igreja católica, em especial, na Espanha e Itália. O Concílio de Trento, principal componente da Reforma católica, esclareceu a posição católica em relação ao ensino de uma série de questões obscuras e introduziu reformas bastante necessárias em relação à conduta do clero, à disciplina eclesiástica, à educação religiosa e à atividade missionária. O movimento pela reforma, no interior da igreja, foi bastante estimulado pela reforma de muitas ordens religiosas mais antigas, bem como pela fundação de novas ordens (como a dos jesuítas). Os aspectos teológicos mais específicos da Reforma católica serão analisados em relação a seus ensinamentos sobre as Escrituras e à tradição, sobre a justificação pela fé e os sacramentos. Em conseqüência da Reforma católica, muitos abusos que, a princípio, estavam por detrás das exigências de reforma – tanto oriundas de humanistas como de protestantes – foram eliminados.

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1 Comments:

Blogger Raimundo said...

Por favor se possível me responda:
1-Qual o nome do terceiro periodo após a reforma protestante?
2-Onde se deu o primeiro oncílio da Igreja?
3-A quem foi atribuida a defesa do culto às imagens no II concílio de Nicéia?
4-O primeiro martirológico esrito foi a cerca de quem? ( não se refere ao primeiro martir)

10:27 AM  

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